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cidade de Curitiba é conhecida internacionalmente pelo eficiente
e inovador sistema de transporte coletivo. Como todas as
idéias novas, o sistema que possibilitou a integração
urbana de Curitiba foi cercado de dúvidas. Mas ao longo dos
anos foi comprovado que a criatividade foi mais eficaz que o ceticismo.
Bonde a cavalos
Em 1887 a Empreza Curitybana, dirigida por Boaventura Capp disponibilizou
o primeiro bonde puxado por animais, ligando a Boulevard 2 de Julho
(atual início da Avenida João Gualberto) ao bairro
do Batel. Esta foi a pedra fundamental de parte da identidade mais
latente da cidade de Curitiba, o transporte coletivo. Naquele período
o passeio pela pacata Curitiba tinha característica mais
poética e os bondes davam o toque de charme. A viagem inaugural
dos primeiros bondes foi um dos maiores acontecimentos da época.
Os jornais locais divulgaram com orgulho a partida dos quatro vagões
que contavam com ilustres passageiros como o presidente da província
Faria Sobrinho.

Bondes elétricos
Apesar do bondinho ter o objetivo de atender às massas, ele
era dividido em duas categorias. Na primeira classe era obrigatório
que os passageiros estivessem calçados. Já no "bond
mixto", como era conhecida, a pessoa podiam viajar sem sapatos.
O panorama do transporte coletivo da cidade mudou com a introdução
dos bondes elétricos a partir 1912. Os primeiros bondes puxados
por mulas foram vendidos e amontoados no depósito de ferro-velho
em Paranaguá. A mudança foi necessária já
que o número de passageiros aumentou de 680 mil, em 1903
para 1,9 milhão por ano em 1913. A cidade crescia rapidamente,
porém de maneira desordenada.

Primeiros Onibus
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Em
1928 começaram a circular os primeiros ônibus
da Companhia Força e Luz Paraná, a nova responsável
pelo transporte coletivo. Dois anos mais tarde começaram
a aparecer às linhas particulares de ônibus,
apesar dos bondes ainda serem a preferência da população.
Em 1938, 10,9 milhões de pessoas utilizavam bondes
e somente 2,6 milhões andavam de ônibus anualmente.
Devido à concorrência nas linhas e atendimento
deficitário o gosto do curitibano pelo transporte coletivo
foi mudando e os bondes perderam espaço. Apesar das
passagens mais caras o novo veículo era mais confortável,
rápido e seguro. |
Em 1951 saíram de circulação os últimos
bondes, dando lugar às auto-lotações. Uma das
grandes revoluções no setor ocorreu em 1955, quando
o município estabeleceu contratos de concessão com
13 empresas. Naquela época, a cidade era atendida por 50
ônibus e 80 lotações. Em 1965 foi editado o
Plano Diretor de Transportes de Curitiba, estabelecendo as vias
estruturais que serviram como eixos base para movimentação
urbana. O plano foi considerado um dos mais perfeitos do mundo.
Por conta do bom planejamento mesmo 15 anos depois os 673 ônibus
da capital paranaense transportavam 515 mil pessoas diariamente.
A frota do transporte coletivo representava apenas 2% dos veículos
que trafegavam em Curitiba e era responsável pelo transporte
de 75% das pessoas que se locomoviam. Como a cidade crescia rapidamente
em pouco tempo o sistema tradicional estaria obsoleto e ineficaz
para atender tanta gente. Era necessário algo de novo. A
solução foi a implantação dos ônibus
expressos. Ele foi um dos grandes responsáveis pelo avanço
no atendimento do transporte coletivo. Não se tratava somente
de uma nova categoria de veículo, mas acima de tudo um sistema
de transporte para médias distâncias que possuía
via exclusiva. A primeira etapa foi à implantação
das canaletas exclusivas, onde circulavam os ônibus convencionais.

O Departamento de Pesquisa de Veículos da Faculdade de Engenharia
Industrial de São Bemardo dos Campos (SP), apresentou ao
IPPUC (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba)
o primeiro modelo de ônibus para atender as novas necessidades
de transporte urbano. Batizado de "Uiraquitan", em homenagem
ao nome indígena dado ao primeiro carro fabricado no Brasil,
foi projetado especialmente para o sistema viário de Curitiba.
Primeiros expressos
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Após
grande repercussão em diversos veículos de comunicação
nacionais, em setembro de 1974 entram em funcionamento experimental
os 20 primeiros expressos. A frota partiu da praça
Generoso Marques para atender passageiros do Eixo Norte/Sul.
Em um dos ônibus de inconfundível cor vermelha
o prefeito Jaime Lemer, idealizador do projeto desde do tempo
em que era presidente do IPPUC, comentava à imprensa
a satisfação de ver sua grande obra em funcionamento.
Com paradas a cada 400 metros e infra-estrutura diferenciada,
onde foram instaladas bancas de revistas, cabines telefônicas
e caixas de correio, além da pista própria,
o expresso foi comparado a um metrô na superfície.
Em média, todos os meses, 1,9 milhão de pessoas
utilizavam o novo sistema de transporte. |
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As
linhas foram aumentando e cada vez mais a frota de ônibus
foi crescendo. Tudo para acompanhar o significativo aumento
populacional e de infra-estrutura da cidade. Em 1980 Curitiba
foi a primeira capital a adotar a tarifa social. O preço
da passagem era único independente do trecho da viagem.
Com esta vantagem também foi colocada em prática
a campanha "É com esse que eu vou", incentivando
a população a deixar os carros em casa e utilizar
o veículo coletivo. O preço do petróleo
aumentava cada vez mais por conta da crise mundial do combustível.
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Na
década de 80, em terminais fechados os usuários
passaram a utilizar roletas de acesso. Desta maneira foi possível
implantar a passagem única. Os usuários podiam
trocar de linha dentro dos terminais sem pagar nova passagem.
Com isto, se consolidou a RIT (Rede Integrada de Transporte).
Em 1980, os ônibus articulados com capacidade 80% maior,
começaram a substituir gradativamente os antigos expressos.
Isto significou economia de combustível em 46% e redução
de custo de 21 % por passageiro transportado. |
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Mudanças
estruturais foram feitas, e seis anos mais tarde. a URBS (Urbanização
Curitiba S/A) assumiu o gerenciamento do sistema e passou
a ser a concessionária, e as empresas operadoras, as
permissonárias. Em 1987, a RIT transportou quase 500
mil usuários por dia, incremento de 9%. No
início da década de 90 já existiam 80
linhas alimentadoras para os usuários se deslocarem
nos cinco eixos atendidos pelos expressos, 239 linhas em todo
o sistema. A RIT atendia em 1990, 54% do total
de usuários do sistema, índice que chegou a
84% em 1995. |
Em
outubro de 1991, sob encomenda da URBS, a Volvo começou a
desenvolver o primeiro ônibus Biarticulado brasileiro, batizado
de "Metrobus", ele tinha 25 metros de comprimento e capacidade
para transportar até 270 passageiros.
Neste período foi implantada uma das maiores novidades do
transporte coletivo naquela década. Foram criadas as Linhas
Diretas, servidas por veículos de cor cinza popularmente
chamados de "Ligeirinhos". Através das rampas de
acesso no lugar das escadas, eles permitiram o embarque e desembarque
de passageiros através das estações-tudo, que
serviam como pequenos terminais, possibilitando ao usuário
a troca de linhas sem pagar nova passagem.

Biarticulados
Os
Biarticulados começaram a substituir também os ônibus
utilizados nas linhas do expresso.
As melhorias foram sendo colocadas em prática como o sistema
de aviso de paradas. A cada saída de uma estação-tubo,
o sistema é automaticamente acionado para informar aos passageiros
qual é o ponto seguinte e quais portas deverão ser
utilizadas para o desembarque. Sistema parecido com o usado por
alguns metrôs em diversos lugares do mundo.

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Em
1996, a RIT ultrapassou as fronteiras e passou a atender a
Região Metropolitana. Em 1999, o Sistema Expresso comemorou
25 anos com a inauguração da linha Biarticulado
Circular Sul. Para relembrar o começo de tudo uma réplica
do primeiro ônibus expresso de 1974 circulou do Terminal
Capão Raso até a Praça Generoso Marques
transportando o então governador Jaime Lerner e o prefeito
Cassio Taniguchi. Foi como uma viagem no tempo para Lerner
e para muitos curitibanos que acompanharam o desenvolvimento
do transporte coletivo da cidade, repleto de inovações
e , empreendedorismo para acompanhar o crescimento urbano. |
Em
2000, a substituição de 87 veículos articulados
por 57 de maior porte, no eixo leste/oeste, demonstrou que no sistema
adotado por Curitiba, novidades são sempre
implantadas sem a necessidade de investimentos incompatíveis
com a realidade da cidade.
Os avanços sociais marcam a história recente do transporte coletivo curitibano. Em 2005, o prefeito Beto Richa determinou o enxugamento de despesas do sistema e o corte de dez centavos na tarifa, reduzida para R$ 1,80.
Também foi criada a tarifa domingueira, que custa apenas R$ 1, e garante o lazer e o convívio social das famílias de baixa renda. Atualmente, a tarifa de segunda a sábado custa R$ 1,90. É uma das mais baratas entre as capitais.
O controle do preço da passagem conseguiu reverter a queda no número de passageiros que vinha sendo registrada desde a década de 90, e atraiu muitos curitibanos de volta ao transporte coletivo. (veja no grafico abaixo)

Hoje 2 milhões de passageiros utilizam diariamente o Sistema Integrado de Transporte Coletivo, composto por 1980 ônibus, que atendem 395 linhas. O sistema é responsável pelo emprego direto de 15 mil pessoas, entre motoristas, cobradores, fiscais, mecânicos, entre outros profissionais..

Fotos:
Secetaria Municipal de Comunicação Social
Arquivo IPPUC
Casa da Memória
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